08 agosto 2011

A arte de navegar com arte

No post sobre o Ms Athena (ex Stockholm), constatamos que é frequente os navios de cruzeiro nos deixarem sem palavras e que os motivos que se relacionam com a história são dos mais intensos.
No verão de 2010 um grupo do Clube de Entusiastas de Navios (CEN) do Funchal, efectuou um cruzeiro de 15 dias no Alaska a bordo do Ms Amsterdam, actual navio-bandeira da Holland America Line (HAL). A distância a percorrer (avião + navio), a exuberância da natureza do destino, o facto de ser a primeira vez do clube nesta companhia, a fortuna em peças de arte a bordo, toda a esmerada dedicação da equipa do CEN, as pesquisas na internet, a contagem decrescente, e um sem fim de emoções foram tornando a viagem um marco.
Chegados a bordo haviam presentes da agência de viagens e de amigos no camarote, situação de fácil concepção através do site da HAL. O tempo voava por ser bem passado neste entusiasmo comum que são os cruzeiros. Um clube de entusiastas de navios liga-se muito mais aos navios que propriamente ao cruzeiro, não menosprezando. Os seus membros devem ser dos mais bem informados sobre os navios a bordo. 
O ex-libris do Ms Amsterdam é o Astrolabium (Link) com uma altura de 3 decks e situado no hall principal do navio mas foi um quadro em relevo que chamou a atenção dos entusiastas, estavam perante a história:
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Foto de Luís Filipe Jardim
Mas e o que tem de especial?
A arte de navegar com arte traz arrepios! Explicaremos, mas é altura de vermos um filme sobre a história dos vários "Nieuw Amsterdam", nome que invoca o nome original de Nova Iorque ao longo dos tempos através de navios que se vão sucedendo na HAL. Observe o filme mas concentre-se particularmente entre o minuto 3:30 e o 3:40 que aborda o segundo navio a ostentar esta designação. Aumente o volume do som:

Esta peça, observada no actual Ms Amsterdam pertenceu ao Nieuw Amsterdam II, o famoso icon da HAL que figura com a imponente proa no seu logotipo por trás do Half Moon, nau de Henry Hudson. Juntou-se à frota como navio-bandeira em 1938. Com 36.287 toneladas, "a querida dos holandeses", como ela era conhecida, foi decorado em grande estilo e foi lançado por Sua Majestade a Rainha dos Países Baixos Wilhelmina que se deteve em frente ao quadro em relevo e comentou com as individualidades que faziam a visita inaugural. Com a chegada da segunda guerra mundial o navio foi despojado de todos os seus luxos, com as peças de arte a serem encaixotadas até melhor oportunidade. O navio serviu orgulhosamente na Segunda Guerra Mundial, repintado e adaptado para a máxima capacidade de transporte possível de tropas e emigrantes. Completou 44 viagens durante a guerra transportando cerca de 400.000 passageiros (a maioria soldados).
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Após a guerra, o Nieuw Amsterdam foi profundamente renovado para re-ostentar a fama da companhia: "The Spotless Fleet". Todas as obras foram retiradas dos caixotes e novamente colocadas a bordo, o painel que hoje comentamos regressou. O navio fez as delicias dos fiéis clientes por uns anos nas caraíbas e viagens transatlânticas, hospedado inúmeras figuras bem conhecidas como Katherine Hepburn, Rita Hayworth, Tracey Spencer e Albert Schweitzer.
Terminemos com alegria, a cargo de uma fan da Holland America Line (Rita Hayworth) e do Ms Amsterdam no Alaska.
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Foto de Luís Filipe Jardim

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