03 setembro 2011

Uma "tentativa" de cruzeiro

Num mundo de imitações e contrabando, contrafacção e engano também a indústria dos cruzeiros é alvo de algo que parece mas não é. Ao longo da história muitas vezes observamos como o denegrir muitas vezes não passa da incapacidade de quem o faz em alcançar o que denigre, sucede na vida real, nos jogos de poder e políticas, no comércio, etc.
A Coreia do Norte lembrou-se de fazer essa imitação que infelizmente só o não acesso à informação ou a imposição poderão justificar o coro, a manifestação de regozijo. É um sintoma do quão controlada é a informação vinda do exterior.
A Coreia do Norte decidiu entrar no mercado dos cruzeiros, aportando cidades do seu país e da China com um "híbrido" que parece cargueiro mas não é, que parece cruzeiro mas não é, que parece confortável mas não é ...
De casco oxidado mas sobreposto com tinta fesca, cabines apertadas porque para carga foi concebido e não recebeu um "refresh", a tripulação tudo faz para agradar dentro de tamanhas condicionantes, até o capitão serve no buffet, não é um trabalho menor mas ... se está no buffet quem comanda o navio?
O cais de embarque (Rajin, perto da fronteira da China com a Rússia) já denuncia o que está para vir e no dia 31 de Agosto, com pompa, circunstância e coreografia dava-se a cerimónia formal seguida da viagem inaugural para 130 passageiros. Cerca de 500 norte-coreanos acenaram para fora do navio de forma coreografada para os elementos que no cais executavam as animações da festa. Os espectadores agitaram bandeiras norte-coreanas e flores artificais, soltaram confetis e serpentinas para marcar a ocasião. A música deste "Carnaval" soava desde carrinhas (tipo 9 lugares) através dos alti-falantes dos seus tejadilhos.

Dos discursos oficiais consta o vice-presidente do município, o Sr. Hwang Chol-nam de Rason City, onde está localizado o porto de Rajin. Elogiou o empreendimento como parte da estratégia da região para atrair turismo.

A cidade de Hwang permite que qualquer nacionalidade possa visitar a área de isenção de vistos. Devem no entanto, organizar a viagem através de empresas "oficiais". Recomendam que o telemóveis sejam deixados na China. O Vice-presidente do município disse: "Qualquer país, as pessoas da América, Japão, Singapura podem vir a Rason city, zona económica especial". Prosseguiu: "Todas as empresas estrangeiras que têm interesse na realização de passeios só precisam de entrar em contato com as nossas empresas".
O navio, com 9700 toneladas brutas, partiu na sua viagem "inaugural" com destino ao resort do Monte Kumgang, perto da fronteira sul-coreana. O percurso de 21 horas à velocidade deste "cruzeiro" permitiu aos passageiros usufruir (alguns) dos beliches em madeira, enquanto que aos outros foram atribuídos colchões no chão. Refeições simples foram servidas em estilo cantina sobre bandejas de metal.
Na decoração do navio não poderia faltar uma placa comemorativa da presença a bordo em 1972 do fundador da Coreia do Norte, o falecido presidente Kim Il Sung, somado a brilhantes cartazes vermelhos "brasonados" com suas palavras.
"O serviço vai melhorar cada vez mais", promessa dos aplicados funcionários, "mais luxo" para o navio capaz de transportar até 900 passageiros ... talvez no próximo ano. É objectivo do cruzeiro trazer o maior número de visitantes a partir Rason ao Monte Kumgang, situação que pensam alcançar durante o verão.
A Coreia do Norte, como é sabido, continua à margem dos circuitos turísticos e de cruzeiros (tal como os conhecemos), relacionamento que se agrava com países como os EUA e a Coreia do Sul, nações que estiveram em guerra contra a Coreia do Norte e China durante a Guerra da Coréia 1950-1953.
Esta aposta está especialmente interessada nas divisas dos turistas chineses supostamente ávidos na "descoberta" da Coreia do Norte (até para eles é um país singular). Com rendimentos crescentes e sendo a única verdadeira boa relação internacional, a China e seus habitantes são alvo apetecível dos investidores norte coreanos, tentando alterar a tendência dos turistas chineses em optarem pela Europa, Tailândia, Japão e Coreia do Sul. Um número pequeno mas crescente já opta pela curta viagem à vizinha Coreia do Norte.
Radar de Proa?
Esta "tentativa" da Coreia do Norte para atrair turistas estrangeiros vem a propósito de uma disputa com a Coreia do Sul no programa conjunto que está parado para exploração turística do Monte Kumgang. Lançado em 1998, o programa deu aos turistas a oportunidade de visitar Diamond Mountain através de visitas geridas pela Hyundai Asan do Sul Corp, que abriu um spa resort e um campo de golfe naquela localidade em 1998. O início teve um espectacular sucesso, dois milhões de visitantes sul-coreanos aderiram e viam aquele destino turístico como um símbolo da cooperação entre as Coreias após décadas de animosidade. Tudo parou depois de um guarda norte-coreano ter disparado e provocado a morte a um turista sul-coreano em 2008. Seul suspendeu o programa de reconciliação.
Que o desejo de parecer e a necessidade não se traduzam em má imagem para a verdadeira indústria dos cruzeiros. Que não provoque danos pessoais graves ocorridos à margem de todas as leis internacionais que salvaguardam o ser humano e os padrões de qualidade no serviço.
Fontes:
Daily Mail
Associated Press
AFP

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