17 outubro 2011

Mv Victoria

O Mv Victoria da Incres Lines, entre outros nomes e donos ao longo da sua vida, determina umas das marcantes histórias sobre paquetes de passageiros que conhecemos.
Construída pela Harland and Wolf em Belfast no ano de 1936 para a Union-Castel, estava vocacionada para viagens a portos africanos a partir das terras de sua majestade. Como tradição na altura, era um paquete de carga e passageiros sob o nome de Dunnottar Castle. Tinha um irmão, o Dunvegan Castle, que chegada a segunda guerra mundial foram requisitados para navios de carga armados. O Dunvegan foi torpedeado em 1940, perdendo-se 24 vidas mas o Dunnottar resistiu e sobreviveu para ser entregue ao seu legítimo dono de novo. Das jornadas de guerra salienta-se o transporte de tropas britânicas para o assalto à Normandia em 1944. Prosseguiu ao serviço militar até 1949 na repatriação de soldados.
Entregue à Union-Castel o paquete reassumiu as suas rotas para África e foi vendo a chegada de novos navios a partir de 1950 à sua companhia até que em 1958 foi decidida a sua venda. Desde logo a Incres Lines demonstrou interesse porque procurava um navio robusto e com provas dadas. A nova companhia tinha boas notícias para o Dunnottar, rumou para Rotterdam para uma profunda intervenção a fim de torná-lo um luxuoso paquete. Saiu dos estaleiros de Wilton-Fijinoord chamando-se Mv Victoria com uma popa modificada, estrutura ampliada, motores novos, mantendo no entanto os traços essenciais originais.
O Victoria tinha um ambiente com madeiras nobres em estilo italiano, os decks foram designados com nomes de pedras preciosas.. Possuía uma sala de jantar abobadada e uma varanda interior para músicos. Os anos foram-se passando e o Victoria sofreu do mesmo problema de muitos navios: custos operacionais elevados perante a chegada de novos navios ao mercado, determinando a sua paragem perto de Brooklyn. Bem afamado, o navio de 430 a 548 passageiros e com 39 anos de idade parou por pouco tempo, foi adquirido pela Chandris Cruises para retirar peças e mobiliário para os seus navios. Durante a minuciosa avaliação, a companhia mudou as suas intenções por considerar um activo demasiado valioso para torná-lo fonte de peças sobresselentes. Determinaram a sua integração na frota da companhia com o nome ligeiramente alterado para "O Victória" (The Victoria).
A nova vida passou por rotas nas Caraíbas e na Europa até 1993 e sempre na Chandris. Nesse ano, os cipriotas da Louis Cruise Lines compram o navio para colmatar a necessidade de cobrir um nincho de mercado com cruzeiros entre Limassol e portos no Egipto e Israel. Seu nome volta a modificar-se mas sempre na senda da "Victoria" mas latinizado: Princesa Victoria.
Este resistente dos mares manteve-se impecável por dez  anos e fez novos donos felizes. No entanto o ano de 2001 trouxe-lhe uma ameaça, a mesma que todo o mundo observou, o terrorismo e os actos do 11 de Setembro. O turismo, condicionado, decresceu a procura e o seu armador decidiu pará-lo, até ver, em Eleusis. O resistente navio com um casco com quase 60 anos e motorização com quarenta, bem podia temer essa paragem pois para voltar em pleno daria muita despesa numa era de preços em queda e consumos incapazes de proporcionar preços competitivos. Para agravar a situação, os preços oferecidos pelos metais nas sucatas aumentaram, acabou em Alang no verão de 2004 sob o nome de Victoria I.
O  Mv Victoria consta da montra história do nosso último post

Sem comentários:

Enviar um comentário