20 novembro 2011

Sabe o que é um Bambote?

O Funchal teve no passado na sua posição geográfica e na sua baía as mais valias para aliciar os navios a fundear com emigrantes e cargas, numa altura em que não havia cais acostável. A Madeira também gerou o seu tráfego de emigração e assim a popularidade do Funchal consumou-se até aos dias de hoje para aqueles que atravessam o Atlântico ou aqueles que pretendem alcançar portos africanos desde a Europa ou em sentido contrário.
Conhecida por estas circunstâncias geográficas, a Madeira foi sendo divulgada pelas suas belezas naturais, condições turísticas e inclusivamente terapêuticas. Não raras vezes, a "esquina do mundo" (Grand Cafe Golden Gate) que ainda existe, era o café onde se deixavam cartas ou encomendas para outros que por ali passariam em viagem.
Desde cedo o Funchal apercebeu-se do potencial que os navios lhe poderiam trazer na sua actividade económica, ao ponto de ir ao encontro daqueles que estavam em trânsito e não desembarcavam ou dos forasteiros que tendo estado em terra eram aliciados na derradeira oportunidade.
É aqui que o "bambote" entra em cena, era uma canoa com produtos regionais destinados a serem vendidos para bordo dos navios que aportavam ao Funchal. Em cima deste exíguo espaço navegante seguia naturalmente o "bamboteiro" carregado de bordados, obras de vime, frutas, vinho, tudo o que a Madeira produzia.


Num diálogo que só o comércio poderá explicar, os potenciais compradores estavam no alto de um paquete a vapor, observando a capacidade de equilíbrio dos bamboteiros que tentam apresentar tudo o que trazem para vender. Um movimento ou hesitação do passageiro bastava para o bamboteiro se dedicar a convencer em exclusivo o mais provável cliente. Um pandemónio de gestos e apresentações, de equilíbrio e desentendimentos, fazia do "tudo ao monte e fé em Deus" a estratégia que deliciava os passageiros. Momento único da viagem.
A descrição passava-se a bombordo e a estibordo, a todo comprimento do navio ou até onde a promenade do navio promovia as condições para o contacto, um autêntico cerco.
Os bambotes e os bamboteiros numa visão desde um vapor.
A ligação do Funchal aos navios não é mera consequência da sua proximidade ao mar mas de muitas vivências que fizeram história, umas ficaram outras estão na memória de muitos pelo mundo fora. Algumas delas estão registadas em fotografias e em postais.

1 comentário:

  1. Estou à procura de einformações sobre a vida do porto do Funchal, nomeadamente sobre o s bomboteiros e os rapazes da mergulhança. Poderia contar com a vossa colaboração no sentido de me disponibilizarem - se possivel, claro - contactos, documentos, fotografias, cartas....

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