08 janeiro 2012

P&O: 175 anos (1ª parte)

Apesar de historicamente indicarem que a P&O foi fundada em 1837,  a "ignição" é anterior. Começa com um jovem sonhador em 1815, seu nome Brodie McGhie Willcox, que decidiu agenciar um navio. Contratou um entendido para o apoiar na parte financeira, com experiência no negócio, pois tinha sido marinheiro, Arthur Anderson. Acabou por ser sócio da Willcox & Anderson na nova aventura comercial. Começaram por negociar uma pequena frota de navios para navegar entre a Inglaterra e a Península Ibérica num serviço que chamavam de "excursões" e que só ganhou consistência com o apoio financeiro de um armador de Dublin, o capitão Richard Bourne. Os primeiros anos após a formação da Willcox & Anderson foram de luta para sobreviver, tiveram nas habilidades de negociação de Arthur Anderson um facto a salientar. Um homem de visão, ao qual se pode dar uma parcela de inventor da indústria dos cruzeiros.
Em 1835 é lançado o primeiro prospecto da companhia para apoiar as vendas. Nesse prospecto restou um espaço vazio, Anderson decidiu fazer um anúncio para um cruzeiro imaginário às ilhas ao largo da Escócia. Para aquela altura era uma ideia inovadora e algo radical mas tornou claro por onde andava o subconsciente de Anderson, a sua vocação nativa. Estas acções e os serviços prestados dão notoriedade à companhia para se apresentar credível e capaz de prestar serviços com maiores desafios ao reino. 
A bandeira da P&O que hoje conhecemos forma-se a partir da importância da Península Ibérica no contexto da futura P&O, o azul e branco de Portugal monárquico, vermelho e amarelo de Espanha, numa composição que se perpetua. O sucesso e a fundação oficial da  Peninsular & Oriental Vapor Navigation Company (P&O) começa a tomar forma quando em 1837 é adjudicada à companhia o serviço de entrega de correspondência da Inglaterra para a Espanha e Portugal. Daqui se começa a perceber algum carinho e a preferência da P&O pelos portos portugueses nas suas escalas. 3 anos depois, a 31 de dezembro de 1840, um segundo contrato é adjudicado e onde o destino das entregas das correspondências era o Egipto pelo valor de 1 milhão de libras. 
O novo contrato, para estender o seu serviço ao porto de Alexandria tinha por compromisso realizar uma escala em Malta e exigia que a viagem da Inglaterra para Alexandria fosse realizada em 15 dias. Um desafio para aquela altura que implicou a construção de um navio de 1.787 toneladas de arqueação bruta movido por turbina a vapor, seu nome: OrientalReflectia a chegada da companhia ao Oriente. É aqui que o nome da empresa é alterado para P&O, Peninsular & Oriental Vapor Navigation Company.
Oriental
O embrião de cruzeiros na P&O começa com a subsidiária Linha do Oriente a apresentar cruzeiros regulares em 1880 do Reino Unido para portos do Báltico e do norte da Europa, os dois navios desses serviços chamavam-se Chimborazo e Garrone. O primeiro navio dedicado em exclusivo aos cruzeiros data de 1904, tinha 5.500 TAB, transportava 180 passageiros e chamava-se Vectis.
O pioneirismo da P&O tem outros marcos na sua história, o primeiro cruzeiro à Austrália ocorreu em 1932 com o navio Strathaird de 22.500 TAB onde seguiram 1.100 pessoas e que teve como destino Brisbane e a ilha de Norfolk.

(Continua)

2 comentários:

  1. Parabéns pela vossa capacidade de serem sempre atractivos, muito diversificados e interessantes.

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  2. Em nome de toda a tripulação, Obrigado. A P&O deveria ser agraciada, homenageada, reconhecida, e tanto mais, pelo nosso país, Portugal. E muito em particular pela Madeira e por Lisboa que desde a sua origem estiveram nos primeiros itinerários desta companhia britânica cuja bandeira junta as cores da monarquia portuguesa (azul e branco) e da coroa espanhola (vermelho e amarelo). P&O-Peninsular & Oriental Company. Parabéns P&O. Uma das tres companhia centenárias e sobreviventes de tão grandes desventuras pelos mares fora de quase dois seculos de história. A ela junta-se a Cunard e a Holland America. Às três, muitos anos de vida!
    Luís Filipe

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