30 dezembro 2011

Porto do Funchal (1)

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Por estes dias vamos abordando o porto do Funchal e a baía envolvente que concede ao país o privilégio de ser no mundo o local onde mais paquetes se reúnem para observar o espectáculo pirotécnico da passagem de ano. Isto numa altura em que mais um navio marcará presença pairando ao largo por um desvio na sua rota, falamos do Saga Ruby.
O Funchal, a jeito de escala nas rotas da navegação marítima para portos Africanos e do continente Americano desenvolveu-se obrigatoriamente a par da navegação a vapor. A cidade coleccionava navios na sua baía de forma contínua justificando um investimento num porto acostável. A infraestrutura não só traria maior conforto para os desembarques como facilitava a ampliação do impacto dos navios na economia regional da altura. Dentro do porto e zonas adjacentes foram construídas instalações para o fornecimento de carvão, água e víveres frescos, entre outros armazéns para exportação de bens produzidos na região.
A primeira fase da construção da infra-estrutura portuária consistiu na ligação por uma muralha com cerca de 100 metros, entre a costa firme da cidade e o ilhéu de São José em 1757. O ilhéu foi edificado em 1712, construindo-se um pequeno forte (São José) que existe até aos nossos dias. Com o passar dos anos este local ficou conhecido por Pontinha.
No ilhéu maior (Molhe) existia desde 1654 a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição do Ilhéu. Marcava o objectivo seguinte no avanço das obras de ampliação do porto, uma muralha adicional com mais 150 metros de cais acostável para calados maiores.
Nesta segunda fase das obras de ampliação do porto do Funchal que decorreram entre 1885 e 1889, foi instalado um útil meio para o avanço mais célere das obras assente em carris, uma locomotiva a vapor para o transporte de inertes. A  zona de frente mar da cidade, em frente ao actual Palácio de São Lourenço foi invadido por um grande estaleiro com vias férreas sobre as quais transitava a locomotiva até às obras da Pontinha levando os materiais para a sua construção
Nem tudo correu bem nas fases de construção da Pontinha e na altura os temporais também faziam das suas. A 28 de fevereiro de 1892 um temporal fez ceder a base e muralha, deixaram o trecho de Pontinha entre o Forte de São José e o actual Molhe no estado que a foto documenta. Outra vez fevereiro! Quando Brasil "tem carnaval" a Madeira vai tendo um historial de temporal ... mas também tem carnaval! Os temporais a par da frequência da chegada de navios fizeram a necessidade, os primeiros ainda tentaram manter presença afectando os navios mas a obra prosseguiu.
Foram também os desastres que motivaram a sua construção, por protecção ou comodidade a barreira artificial, um porto de abrigo exigia-se. Alguns acidentes com embarcações:
"Dart e Novo Beijinho", encalhados por arrastamento de marés para o calhau das Fontes de João Dinis a 26 de Outubro de 1842
“Torquato”, brigue italiano encalhado na praia de Santa Catarina, Funchal
A obra do porto, com o início dos trabalhos mais exigentes e profundos, beneficiou da instalação de duas gruas a vapor que circulavam por acréscimo de carris à medida que a obra avançava. Esta rede de carris estava de início ligada ao centro da cidade mas com o avanço das obras na Pontinha confinou-se à área da obra por haver espaço suficiente para a gestão de inertes e trabalhos preparativos como cofragens ou trabalhos em ferro.

(Continua)

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