31 janeiro 2012

Assalto ao Santa Maria: 31 Janeiro (12)

A 31 de Janeiro de 1961, é recebido a bordo do Santa Maria o almirante norte-americano Allen Smith para novo encontro com o grupo de rebeldes comandados por Galvão. Os resultados do encontro são inconclusivos, dentro da estratégia de Henrique Galvão em fazer render o tempo até à tomada de posse de Jânio Quadros, numa transição que se efectivaria a 1 de fevereiro. Neste mesmo dia, o Santa Maria recebe a bordo outra visita, um negociador brasileiro enviado pelo futuro presidente, seu nome Dário Castro Alves. A comunicação é algo diferente do que Galvão estava à espera e que tinha sido negociado na Venezuela aquando da planificação do assalto. O enviado de Jânio Quadros ao Santa Maria, informa a Galvão que o presidente não poderia apoiar a sua acção na sequência da tradição diplomática brasileira e à luz do direito internacional no que se refere à continuidade da Operação Dulcineia mas, em contrapartida, concedia o asilo político a todos os rebeldes do grupo se optassem por desistir dos seus propósitos em África. Em segunda opção, Henrique Galvão poderia prosseguir a sua missão mas teria que desembarcar todos os passageiros, ficando o navio por sua conta mas sem qualquer cedência adicional ou fornecimento de ajuda às acções dos revoltosos.

Na imagem da esquerda temos o presidente cessante do do Brasil neste dia há 51 anos, Juscelino Kubitschek de Oliveira. 
À direita Jânio Quadros, o novo presidente que ainda favorável às acções do capitão Henrique Galvão, introduziu uma variante que viria a ditar o terminus do Assalto ao Santa Maria no porto de Santos (Link).


Gravuras do interior do paquete Santa Maria constantes do "caderno de viagem":

30 janeiro 2012

Assalto ao Santa Maria: 30 Janeiro (11)

Hoje 30 de Janeiro há 51 anos prosseguem as negociações entre o comando rebelde da DRIL e representantes do presidente norte americano Kennedy para o desembarque dos passageiros, muitos deles norte-americanos. O Santa Maria paira ao largo de Recife protegido pela legislação no que concerne a águas internacionais. Um "esticar de corda" para abrir uma janela de oportunidade. Basicamente a aguardar que o intransigente e desfavorável presidente brasileiro, Kubitchek de Oliveira, termine o mandato. 
O comando da DRIL tinha na planificação do assalto ao Santa Maria recebido auxílio jurídico do embaixador Álvaro Lins que oficiosamente informou da predisposição do futuro presidente do Brasil, Jânio Quadros, a conceder apoio político aos rebeldes. Galvão fazia fé na "palavra" de Jânio Quadros, concretizada na Venezuela mas também confirmada por uma delegação enviada em seu nome ao paquete a 29 de Janeiro. O compasso de espera transformava o risco de ser detido e obter insucesso no completo oposto pela simples paciência de aguardar e fazer render as negociações com os americanos.
Com o tempo a render favoravelmente a Galvão, o evoluir da situação era desfavorável ao governo português, a sua tese de pirataria cai com as negociações encetadas pelos rebeldes e a sua diplomacia com os passageiros. Depois de uma primeira reacção a quente de alguns países, esfumou-se a teoria de pirataria. O regime sentia o momento de viragem próximo e em desespero solicitou auxílio à França e à Holanda, refrescando o lote de países que poderiam apoiar a posição portuguesa. Não surtiu efeito, nos meios diplomáticos Portugal estava isolado e sem argumentos. Restou Kubitschek de Oliveira em fim de mandato e um Jânio Quadros com o novo quadro das relações luso-brasileiras em mente, nada favorável ao governo português.

Últimos momentos

29 janeiro 2012

Filme: Assalto ao Santa Maria (10)

Temos percorrido dia a dia os acontecimentos e as razões que levaram ao assalto ao paquete Santa Maria e dos tensos dias a bordo subordinados à "Operação Dulcineia". Os nossos posts têm coincidido com as acções ocorridas em cada dia, hoje domingo, tradicionalmente com maior disponibilidade de todos decidimos publicar o filme alojado no Canal de 35casillasDesfrute sabendo que prosseguiremos com a narração.
Filme assalto ao Santa Maria, composto por 7 partes num total de 1h45m:




  • Título Original: Assalto ao Santa Maria
  • Intérpretes: António Pedro Cerdeira, Carlos Paulo, Leonor Seixas, Pedro Seixas, Pedro Cunha, Vítor Norte.
  • Realização: Francisco Manso
  • Distribuido em Portugal por: ZON Lusomundo Audiovisuais
  • Género: Drama, Romance
  • Ficha Técnica: Duração: 1h45m‎‎ | Origem: PT, 2009
  • Disponibilizado por:  Canal de 35casillas

27 janeiro 2012

Assalto ao Santa Maria: 27 e 28 de Janeiro (9)


A 27 de Janeiro de há 51 anos, o Almirante Robert L. Dennison (primeira foto), comandante da Esquadra do Atlântico dos Estados Unidos, toma a iniciativa de contactar o capitão Henrique Galvão para convencê-lo a aceitar primeiramente o almirante Allen Smith (segunda foto), como representante do governo dos EUA a bordo do Santa Maria. A missão do almirante era a de negociar o desembarque dos passageiros a bordo do paquete em algum porto da costa sul-americana.
A preferência do Departamento de Estado Norte Americano era pela costa brasileira. Suspeitava-se já pela navegação do Santa Maria que a direcção pretendida para o paquete era em direcção a África.
Galvão estava ciente que a abertura do governo americano, em considerar as suas acções como políticas, tinham transformado o seu plano desde já um sucesso. Importava colaborar sem perder a face. O arquitecto da “Operação Dulcineia” aceita a presença do representante dos EUA a bordo. O almirante Allen Smith negociará entre 27 a 31 de Janeiro com os rebeldes e o governo brasileiro. Depois do acerto com Galvão, o Departamento de Estado Norte Americano inicia negociações com o governo brasileiro de Jucelino Kubitschek de Oliveira para usar um porto brasileiro para o desembarque passageiros, na condição de que este se realize sem o apresamento do navio e a captura dos rebeldes, mantendo a palavra e o reconhecimento do seu estatuto "político". Kubitschek não se mostrava colaborante, até porque o seu mandato finalizava dentro de poucos dias.

Desta forma se justifica o prolongamento das negociações, do pairar do Santa Maria em água internacionais ao largo de Recife, aguardando pela subida ao poder do novo presidente do Brasil a 1 de Fevereiro, Jânio Quadros. A bordo, qualquer acção, deslocação ou apreensão facial era acompanhada por todos com trocas de olhares. Estavam cientes que aqueles eram os momentos da decisão e do sucesso. 
Em cima, na primeira foto, os rebeldes ouvem atentamente as instruções do seu capitão Henrique Galvão. Em baixo e já na costa brasileira, o espanhol José Junquera acalma o único murmúrio da tripulação relativo às instruções recebidas.
Entretanto, a popularidade de Galvão cresce na mesma razão do número de mensagens via rádio dirigidas à opinião pública americana. Os dias a "pairar" servem para instruir a opinião pública sobre o "belicismo verbal" contra a ditadura portuguesa, apelando à não intervenção de países terceiros e assegurando que apesar da acção tomada com Santa Maria não tinha intenções "piratas" ou lesivas aos passageiros. Apesar do risco de não ser interpretado como desejava, o assalto ao Santa Maria tal como planeado, tinha sido inovador. Chamou a atenção da opinião pública e serviu para passar a mensagem. A amplitude mediática que o caso tomou reverteu as teses de Oliveira Salazar que começava a perder força na cena mundial. Após a natural condenação inicial do assalto ao Santa Maria, sucede uma leitura politica mais ponderada sobre os acontecimentos e a observação do seu alcance na cena mundial, sobretudo no contexto das colónias. Os movimentos anti-ditatoriais davam início, pouco tempo depois, à guerra colonial portuguesa.

26 janeiro 2012

Assalto ao Santa Maria: 26 de Janeiro (8)

Foi um dia relativamente calmo a bordo do Santa Maria. De deslocação de meios navais e o reconhecimento que o assalto ao navio tinha sido uma atitude política. Os passageiros quase esqueciam da sua situação mas a apreensão estava presente. Qualquer das partes, passageiros e rebeldes, ansiavam por receber as notícias sobre a reacção do mundo às declarações de Galvão no dia anterior. As atitudes a tomar pelos governos eram uma incógnita que fomentava a curiosidade permanente, isto depois de se terem cruzado com o cargueiro dinamarquês "Vieke Gulka" no dia anterior e por terem sido sobrevoados por um avião de reconhecimento Neptune, que deu a conhecer a posição do Santa Maria: a 900 milhas de Trinidad rumando no sentido da costa africana.
Neste dia, a única fragata britânica presente no acompanhamento do caso do Assalto ao Santa Maria chega a Trinidad. Seria à partida o vaso de guerra mais bem localizado para interceptar o Santa Maria mas, as declarações proferidas por Galvão à comunicação social tinha surtido efeito pois cunharam a natureza exclusivamente política dos seus actos. EUA e Grã-Bretanha inflectiram as suas posições mantendo-se vigilantes através das suas fragatas e no apoio aos seus compatriotas a bordo do paquete Santa Maria.
 Type 12 Rothesay Class

Nos diários nacionais a ira do regime estava presente no titulares:
"O que acaba de fazer o ex-português Henrique Galvão ultrapassa todas as marcas de uma traição a Portugal, porque é uma monstruosa traição a humanidade".
"Desde há séculos que estes mares das Antilhas têm sido valhacouto de ladrões do mar. ...E todo este sangue se alastra nas mãos de Henrique Galvão, agora capitão de piratas, flibusteiro sem lei, corsário traiçoeiro e criminoso, ladrão do mar".
"Um bando de criminosos chefiados pelo famigerado Henrique Galvão apoderou-se do paquete "Santa Maria".

25 janeiro 2012

Riviera adia viagem inaugural

O novo navio Riviera da Oceania Cruises sofreu um atraso na entrega devido às greves nos estaleiros da Fincantiere. A viagem inaugural de 24 de abril foi reprogramada para 16 de maio. Dois cruzeiros são afectados com este adiamento, os que medeiam as duas datas, são eles o cruzeiro de 12 noites Atenas - Istambul e o 10 noites Istambul - Veneza. Os passageiros afectados poderão decidir entre o reembolso ou a reprogramação para outro cruzeiro da Oceania Cruises. O cruzeiro inaugural é agora um 10 noites intitulado "Mar Egeu" que incluí dia de navegação, Dubrovnik, Corfu e Creta, entre os portos mais salientes.

Assalto ao Santa Maria: detectado (7)

Hoje, 25 de Janeiro há 51 anos, o recém eleito John Kennedy, presidente dos Estados Unidos, profere a sua primeira conferência de imprensa onde aborda o caso do Santa Maria. Confirma que o navio português tinha sido localizado por um avião de reconhecimento da Marinha dos Estados Unidos. A comunicação prossegue naquilo que era atenciosamente seguido pela opinião pública americana, o facto de estarem a bordo 34 cidadãos nacionais. Kennedy declara-se consciente do facto de se encontrarem norte-americanos a bordo o Santa Maria e de reconhecer que lhe havia chegado um pedido formal de auxílio por parte de Portugal, uma nação amiga, mas que não tinha instruído a marinha a intervir no navio. Descansado com certeza pela palavras da comunicação de Galvão, realçou que as suas instruções se limitavam ao acompanhamento da rota do Santa Maria em missão de vigilância e de prontidão para garantir a segurança dos 34 passageiros norte americanos. O regime português sente que caiu em desgraça mas não vacila, em Março desse ano de 1961 começa a guerra colonial portuguesa.
Como já vimos pela conferência de imprensa de Kennedy, este dia é o da denúncia da posição do Santa Maria por informações enviadas por um cargueiro dinamarquês que se cruzou com o paquete. O avião de reconhecimento americano teve a vida facilitada para começar a tirar informações que seriam transmitidas aos vasos de guerra para virem ao seu encalço.
 A equipa americana do avião de reconhecimento.
A tensão começa a subir, o Santa Maria recebe o primeiro contacto depois de sobrevoado. As indicações consistiam na ordem para rumar a Porto Rico devido ao facto de haver americanos a bordo. Galvão recusa a ordem de "estrangeiros" e recusa ser tratado como pirata.
Henrique Galvão pressiona a ONU e à administração Kennedy para a obtenção do estatuto de rebeldes políticos em guerra, sempre com o objectivo de amplificar as ondas de choque com o assalto ao Santa Maria e provocar uma maior visibilidade internacional para a situação portuguesa. Galvão pede uma conferência de imprensa a bordo, exclusivamente para a imprensa internacional.
Pelo lado da comunicação social internacional, tudo é tentado para chegar ao Santa Maria e subir a bordo, sobretudo pelos franceses, consumando-se verdadeiras odisseias que pela persistência e ousadia são premiadas num dos casos. O semanário Paris Match foi sem dúvida o mais decidido. Com um jornalista em território amerciano, Dominique Lapierre, é instruído a apanhar imediatamente um avião para Recife no Brasil, chegar ao navio e obter um exclusivo mundial do caso do Santa Maria, disponibilizando uma elevada quantia em dinheiro para conseguir os seus intentos.
Lapierre (imagem ao lado esquerdo) não era um jornalista comum e enviou um fotografo numa avioneta alugada que se atirou de pára-quedas sobre o Santa Maria. Sem dúvida, a razão porque hoje estamos a divulgar algumas fotografias a preto e branco. 
Nas duas imagens superiores, temos na primeira Gil Delamar, repórter fotográfico da agência Dalmas de Paris que salta de pára-quedas para concretizar a cobertura fotográfica do rapto do Santa Maria. Na imagem imediatamente a seguir, o foto-jornalista francês Delamare recebe uma lembrança oferecida pelos rebeldes.
Em terra, Lapierre encontra cerca de 1000 jornalistas no porto de Recife, todos com o mesmo propósito, o resultado saberemos mais à frente quando o Santa Maria se aproximar da costa Brasileira.
Enquanto todo este caso se desenrola sob várias frentes (diplomática, governos, ONU, imprensa, armada, etc) o Santa Maria contínua a navegar. Galvão aproveita a noite para confundir a vigilância ao navio, reduzindo as luzes do Santa Maria a ponto de se confundir com um cargueiro.
A bordo e ao fim de 4 dias, a tripulação do Santa Maria e os passageiros estão convencidos que nada de mal lhes ocorrerá e colaboram com as instruções dos "rebeldes".  Mata-se o tempo com filmes, com danças de salão e as orquestras em plena actividade. É um verdadeiro contraste o stress da missão de Galvão e  a resignação dos passageiros que decidem gozar da melhor forma o tempo.

24 janeiro 2012

Naviera Armas extingue ligação ferry Portimão - Funchal

A Naviera Armas, companhia espanhola que faz uma triangulação entre as Canárias, Madeira e Portimão anunciou o "terminus" das operações entre o sul do continente português - Portimão e a cidade do Funchal.
Segundo o comunicado: "Salvo mudanças imprevisíveis de última hora, a Naviera Armas realiza no próximo fim-de-semana a sua última viagem regular Funchal-Portimão-Funchal".
Não foi esclarecido se a ligação Madeira - Canárias está também em causa. Aguardemos novas informações.
A Naviera Armas invoca: "uma série de dificuldades na operação".
Parece que "no me da la gana ...", fim de uma ligação muito útil na contenção de custos e de uma excelente opção tanto para transporte de carga rodada como de preços mais acessíveis no transporte de passageiros, bem vimos na recente passagem de ano do Funchal ... quando as passagens aéreas chegaram aos 500 e tal euros no trajecto Lisboa - Funchal - Lisboa.

Costa Concordia: webcams

Numa altura em que se iniciaram os trabalhos de sucção do fuelóleo das cisternas do Concordia para embarcações da "Smit", é com certeza interessante observar os trabalhos. Contudo, prevemos duas semanas calmas de ora avante. A parte visualmente interessante terá início com os trabalhos de deslocação do Concordia que será decidido com base nas reacções do navio com este aliviar de peso do combustível, cerca de 3 mil toneladas. O Costa Concordia foi fixado e à partida não se movimentará nos trabalhos, um indicador de que a solução de fazê-lo flutuar ganha consistência. Não se conhece nenhum trabalho em que a "Smit" não tenha colocado qualquer tipo de embarcação acidentada a flutuar, o expoente máximo foi o submarino Kursk de 154mt a uma profundidade de 100mt.


Webcam direccionada para o interior do porto com o Costa Concordia ao fundo:

Webcam com panorâmica sobre enseada onde está localizado o porto de Giglio e o Costa Concordia.

Quem desejar conhecer um pouco mais da ilha existem outras webcams:
Castello Piazza
Campese panoramica
Tramonti di Giglio Campese
Spiaggia Arenella

Com a colaboração do nosso leitor: Mota Santos

Assalto ao Santa Maria: Volte-face no dia 24 (6)

No dia 24 de Janeiro, há 51 anos, ocorre no Santa Maria uma comunicação via rádio pelo capitão Henrique Galvão que esclarece e altera definitivamente a posição política do governo britânico, a braços com a contestação da oposição. Nos Estados Unidos, a comunicação de Galvão promove uma maior clarividência sobre a situação no interior da recém-empossada Administração Kennedy. O capitão Galvão consegue quebrar a ideia "vendida" aos aliados de que o assalto ao Santa Maria era pirataria e com o qual ambos os países decidiram responder ao pedido português.
Apesar da alteração dos planos iniciais, o assalto ao Santa Maria apanhou de surpresa o regime político que reagiu a quente conforme pode e com o que estava ao seu alcance: NATO. A acção levada a cabo a bordo de um navio em águas internacionais limitaram a sua acção directa.
Estava alcançado o impacto internacional e a correcta interpretação das acções. No interior do regime, o embaraço é notório porque observavam o alcance que o assalto ao Santa Maria poderia tomar contra a ditadura e o seu isolamento internacional. 1961 foi um ano de viragem. A referência mais utilizada para documentar a consciência da posição do estado são as palavras de Franco Nogueira: 
"... este episódio, se for politizado pelo mundo, vai ter no futuro repercussões. Lisboa fervilha de boatos: remodelação ministerial, Salazar gravemente doente e desavindo com Thomaz, confusão. Uma trapalhada!" O prognóstico acertaria, o caso acabou por se transformar, como veremos nos próximos dias, numa situação muito desfavorável para o Estado Novo.
Entretanto, neste dia 24, o Santa Maria chega às machetes, nacionais e internacionais, com perspectivas diferentes. A opinião pública internacional começa a actuar com uma nova postura em relação a Portugal:
A bordo, passageiros e tripulantes consomem como podem o tempo num ambiente cordialmente tenso. Os revoltosos tentam não interferir nas rotinas. Seguem-se algumas das ambiências daqueles dias, na primeira foto no topo um dos luxuosos lounges a bordo do Santa Maria seguido do bar no Santa Maria com um rebelde como temporário "barman". 
Apesar do clima completamente artificial, as grávidas e senhoras em geral foram tratadas com cortesia depois de alguns arrufos iniciais pelo controle que os rebeldes exerciam sobre os passageiros e o seu confinamento em determinadas áreas públicas:
Por entre os passageiros, as nacionalidades e profissões pautavam-se por uma grande mescla e onde também viajava um padre:
Reunião do núcleo duro da DRIL:

23 janeiro 2012

Costa Concordia: Smit entra amanhã em acção

A empresa holandesa Smit entra amanhã em acção para o arranque na extracção das quase 3 mil toneladas de fuelóleo a bordo do Concordia, num anúncio efectuado por Bart Huizing, um responsável da Smit no local.
No dia de hoje foram encontradas duas novas baixas, perfazendo 15 no total (e não 13 como indicam no vídeo, realizado antes da actualização), isto numa altura que as contas ficam baralhadas pela hipótese de haver clandestinos a bordo.

Assalto ao Santa Maria: 23 Janeiro (5)

Hoje, 23 de Janeiro há 51 anos, o Santa Maria aproxima-se da ilha de Santa Lúcia (Antilhas Britânicas, um dos aliados de Portugal) e desembarca numa das lanchas a motor, 2 feridos graves e 5 tripulantes devido à insistência do capitão Henrique Galvão em prestar assistência aos ferido. É o momento em que o sentido humano da operação vence e compromete a possibilidade da operação se desenrolar e atingir em anonimato a costa de África sem ser detectado mas também revela divergências, uma revolta a bordo.
Este "contacto" imprevisto não tarda a chegar à capital do império e naturalmente ao governo português. Foi apanhado de surpresa, a Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) foi ineficaz mas Portugal não tarda a reagir usando a sua presença na NATO, solicitando a intervenção no Santa Maria.

As acções diplomáticas no seio da NATO, levam 2 países a apoiar Portugal na resolução do problema que é considerado "pirataria". A Inglaterra e os Estados Unidos convergem tacitamente num primeiro momento não deixando de pensar na posição assumida pela França que se absteve. São enviados para a zona navios e aviação de guerra para detectar e interceptar o Santa Maria.
O primeiro pedido de auxílio do estado português foi feito hoje há 51 anos, pelo director-geral dos Negócios Políticos do Ministério dos Negócios Estrangeiros, seu nome Franco Nogueira, directamente à embaixada norte-americana. Consistia na proximidade e disponibilidade da Marinha dos EUA para localizar e interceptar o paquete Santa Maria. Com a chegada de mais informação, segue-se um pedido do ministro dos Negócios Estrangeiros de então, Marcelo Mathias, à mesma embaixada, desta feita mantém a captura do Santa Maria mas também a detenção de Henrique Galvão, fundamentados por antecedentes julgados "criminais" pelo estado português ao mesmo tempo que atemoriza os Estados Unidos para a possibilidade de Galvão instaurar um regime semelhante ao de Cuba nas colónias portuguesas.
Por entre tripulantes e passageiros ganha-se a consciência que não estão sozinhos e incógnitos no meio do Atlântico à mercê de uma acção para todos os efeitos militares pela forma como os "piratas" trajam e pelas suas posturas. As crianças, inconscientes dão mostras da novidade que detectaram, o aproximar de um avião de reconhecimento no primeiro contacto das acções de perseguição. 
Em Inglaterra há um retrocesso na firmeza da decisão de apoiar Portugal, a oposição trabalhista pressiona a retirada britânica da acção. Numa cadeia de contágio, Kennedy que tinha sido recém-eleito presidente dos EUA encontrou uma oportunidade de inverter a posição da política norte-americana em relação à situação  ditatorial de Portugal e aos diferendos com as suas colónias. Kennedy não permite a abordagem ao Santa Maria que foi renomeado por uma tarja no varandim do deck superior como "Santa Liberdade". No varandim debaixo da ponte de comando estavam as siglas do movimento contestatário: