23 janeiro 2012

Assalto ao Santa Maria: 23 Janeiro (5)

Hoje, 23 de Janeiro há 51 anos, o Santa Maria aproxima-se da ilha de Santa Lúcia (Antilhas Britânicas, um dos aliados de Portugal) e desembarca numa das lanchas a motor, 2 feridos graves e 5 tripulantes devido à insistência do capitão Henrique Galvão em prestar assistência aos ferido. É o momento em que o sentido humano da operação vence e compromete a possibilidade da operação se desenrolar e atingir em anonimato a costa de África sem ser detectado mas também revela divergências, uma revolta a bordo.
Este "contacto" imprevisto não tarda a chegar à capital do império e naturalmente ao governo português. Foi apanhado de surpresa, a Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) foi ineficaz mas Portugal não tarda a reagir usando a sua presença na NATO, solicitando a intervenção no Santa Maria.

As acções diplomáticas no seio da NATO, levam 2 países a apoiar Portugal na resolução do problema que é considerado "pirataria". A Inglaterra e os Estados Unidos convergem tacitamente num primeiro momento não deixando de pensar na posição assumida pela França que se absteve. São enviados para a zona navios e aviação de guerra para detectar e interceptar o Santa Maria.
O primeiro pedido de auxílio do estado português foi feito hoje há 51 anos, pelo director-geral dos Negócios Políticos do Ministério dos Negócios Estrangeiros, seu nome Franco Nogueira, directamente à embaixada norte-americana. Consistia na proximidade e disponibilidade da Marinha dos EUA para localizar e interceptar o paquete Santa Maria. Com a chegada de mais informação, segue-se um pedido do ministro dos Negócios Estrangeiros de então, Marcelo Mathias, à mesma embaixada, desta feita mantém a captura do Santa Maria mas também a detenção de Henrique Galvão, fundamentados por antecedentes julgados "criminais" pelo estado português ao mesmo tempo que atemoriza os Estados Unidos para a possibilidade de Galvão instaurar um regime semelhante ao de Cuba nas colónias portuguesas.
Por entre tripulantes e passageiros ganha-se a consciência que não estão sozinhos e incógnitos no meio do Atlântico à mercê de uma acção para todos os efeitos militares pela forma como os "piratas" trajam e pelas suas posturas. As crianças, inconscientes dão mostras da novidade que detectaram, o aproximar de um avião de reconhecimento no primeiro contacto das acções de perseguição. 
Em Inglaterra há um retrocesso na firmeza da decisão de apoiar Portugal, a oposição trabalhista pressiona a retirada britânica da acção. Numa cadeia de contágio, Kennedy que tinha sido recém-eleito presidente dos EUA encontrou uma oportunidade de inverter a posição da política norte-americana em relação à situação  ditatorial de Portugal e aos diferendos com as suas colónias. Kennedy não permite a abordagem ao Santa Maria que foi renomeado por uma tarja no varandim do deck superior como "Santa Liberdade". No varandim debaixo da ponte de comando estavam as siglas do movimento contestatário:

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