30 janeiro 2012

Assalto ao Santa Maria: 30 Janeiro (11)

Hoje 30 de Janeiro há 51 anos prosseguem as negociações entre o comando rebelde da DRIL e representantes do presidente norte americano Kennedy para o desembarque dos passageiros, muitos deles norte-americanos. O Santa Maria paira ao largo de Recife protegido pela legislação no que concerne a águas internacionais. Um "esticar de corda" para abrir uma janela de oportunidade. Basicamente a aguardar que o intransigente e desfavorável presidente brasileiro, Kubitchek de Oliveira, termine o mandato. 
O comando da DRIL tinha na planificação do assalto ao Santa Maria recebido auxílio jurídico do embaixador Álvaro Lins que oficiosamente informou da predisposição do futuro presidente do Brasil, Jânio Quadros, a conceder apoio político aos rebeldes. Galvão fazia fé na "palavra" de Jânio Quadros, concretizada na Venezuela mas também confirmada por uma delegação enviada em seu nome ao paquete a 29 de Janeiro. O compasso de espera transformava o risco de ser detido e obter insucesso no completo oposto pela simples paciência de aguardar e fazer render as negociações com os americanos.
Com o tempo a render favoravelmente a Galvão, o evoluir da situação era desfavorável ao governo português, a sua tese de pirataria cai com as negociações encetadas pelos rebeldes e a sua diplomacia com os passageiros. Depois de uma primeira reacção a quente de alguns países, esfumou-se a teoria de pirataria. O regime sentia o momento de viragem próximo e em desespero solicitou auxílio à França e à Holanda, refrescando o lote de países que poderiam apoiar a posição portuguesa. Não surtiu efeito, nos meios diplomáticos Portugal estava isolado e sem argumentos. Restou Kubitschek de Oliveira em fim de mandato e um Jânio Quadros com o novo quadro das relações luso-brasileiras em mente, nada favorável ao governo português.

Sem comentários:

Enviar um comentário