25 janeiro 2012

Assalto ao Santa Maria: detectado (7)

Hoje, 25 de Janeiro há 51 anos, o recém eleito John Kennedy, presidente dos Estados Unidos, profere a sua primeira conferência de imprensa onde aborda o caso do Santa Maria. Confirma que o navio português tinha sido localizado por um avião de reconhecimento da Marinha dos Estados Unidos. A comunicação prossegue naquilo que era atenciosamente seguido pela opinião pública americana, o facto de estarem a bordo 34 cidadãos nacionais. Kennedy declara-se consciente do facto de se encontrarem norte-americanos a bordo o Santa Maria e de reconhecer que lhe havia chegado um pedido formal de auxílio por parte de Portugal, uma nação amiga, mas que não tinha instruído a marinha a intervir no navio. Descansado com certeza pela palavras da comunicação de Galvão, realçou que as suas instruções se limitavam ao acompanhamento da rota do Santa Maria em missão de vigilância e de prontidão para garantir a segurança dos 34 passageiros norte americanos. O regime português sente que caiu em desgraça mas não vacila, em Março desse ano de 1961 começa a guerra colonial portuguesa.
Como já vimos pela conferência de imprensa de Kennedy, este dia é o da denúncia da posição do Santa Maria por informações enviadas por um cargueiro dinamarquês que se cruzou com o paquete. O avião de reconhecimento americano teve a vida facilitada para começar a tirar informações que seriam transmitidas aos vasos de guerra para virem ao seu encalço.
 A equipa americana do avião de reconhecimento.
A tensão começa a subir, o Santa Maria recebe o primeiro contacto depois de sobrevoado. As indicações consistiam na ordem para rumar a Porto Rico devido ao facto de haver americanos a bordo. Galvão recusa a ordem de "estrangeiros" e recusa ser tratado como pirata.
Henrique Galvão pressiona a ONU e à administração Kennedy para a obtenção do estatuto de rebeldes políticos em guerra, sempre com o objectivo de amplificar as ondas de choque com o assalto ao Santa Maria e provocar uma maior visibilidade internacional para a situação portuguesa. Galvão pede uma conferência de imprensa a bordo, exclusivamente para a imprensa internacional.
Pelo lado da comunicação social internacional, tudo é tentado para chegar ao Santa Maria e subir a bordo, sobretudo pelos franceses, consumando-se verdadeiras odisseias que pela persistência e ousadia são premiadas num dos casos. O semanário Paris Match foi sem dúvida o mais decidido. Com um jornalista em território amerciano, Dominique Lapierre, é instruído a apanhar imediatamente um avião para Recife no Brasil, chegar ao navio e obter um exclusivo mundial do caso do Santa Maria, disponibilizando uma elevada quantia em dinheiro para conseguir os seus intentos.
Lapierre (imagem ao lado esquerdo) não era um jornalista comum e enviou um fotografo numa avioneta alugada que se atirou de pára-quedas sobre o Santa Maria. Sem dúvida, a razão porque hoje estamos a divulgar algumas fotografias a preto e branco. 
Nas duas imagens superiores, temos na primeira Gil Delamar, repórter fotográfico da agência Dalmas de Paris que salta de pára-quedas para concretizar a cobertura fotográfica do rapto do Santa Maria. Na imagem imediatamente a seguir, o foto-jornalista francês Delamare recebe uma lembrança oferecida pelos rebeldes.
Em terra, Lapierre encontra cerca de 1000 jornalistas no porto de Recife, todos com o mesmo propósito, o resultado saberemos mais à frente quando o Santa Maria se aproximar da costa Brasileira.
Enquanto todo este caso se desenrola sob várias frentes (diplomática, governos, ONU, imprensa, armada, etc) o Santa Maria contínua a navegar. Galvão aproveita a noite para confundir a vigilância ao navio, reduzindo as luzes do Santa Maria a ponto de se confundir com um cargueiro.
A bordo e ao fim de 4 dias, a tripulação do Santa Maria e os passageiros estão convencidos que nada de mal lhes ocorrerá e colaboram com as instruções dos "rebeldes".  Mata-se o tempo com filmes, com danças de salão e as orquestras em plena actividade. É um verdadeiro contraste o stress da missão de Galvão e  a resignação dos passageiros que decidem gozar da melhor forma o tempo.

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