21 janeiro 2012

Assalto ao Santa Maria: etapa Curaçao (3)

Curaçao, a próxima etapa do Santa Maria. Observemos um breve filme do Curaçao de hoje. No fim deste post terá outro mais demorado. Continua a ser um porto com grande frequência de navios de cruzeiro.

                                                                                                                            
O Santa Maria, navio a vapor com casco de aço da Companhia Colonial de Navegação tinha 185,60mt, foi construído 1952 em Hoboken na Bélgica, pelos estaleiros John Cockerill, à semelhança de outros navios pertencentes à Companhia Nacional de Navegação. Ao Santa Maria foi destinado à carreira da América do Sul, para transporte de passageiros e de carga. Possuía 21.356 TAB, 23,90mt de boca, 8,41mt de calado e atingia uma velocidade cruzeiro de 22 nós. Poderia levar 8 pessoas em classe de luxo, 148 em primeira classe, 226 em segunda classe, 200 na terceira e 600 na terceira suplementar, contando ainda com 293 tripulantes. Naquela viagem do assalto seguiam cerca de 600 passageiros e 350 tripulantes rumo a Miami.
O Santa Maria era na altura o mais luxuoso paquete português. Antes do assalto, tinha já prestígio e notoriedade, um ícone luso. Era o único navio de passageiros português que mantinha uma ligação regular entre Portugal e os Estados Unidos. É desta notoriedade que nasce a preferência da DRIL para divulgar a sua mensagem através de poderosos orgãos de comunicação social do mundo ocidental.  O assalto ao Santa Maria, que narraremos nos exactos dias dos acontecimentos, foi uma manobra de contestação revolucionária que entrou para a história da Ciência Política, introduziu a prática de sequestrar navios com fins políticos. Foi o primeiro sequestro político de um transatlântico.
A primeira etapa do périplo do Santa Maria decorreu sem incidentes, com 20 elementos da DRIL a bordo  aguardando pelo embarque do seu líder, Henrique Galvão. Efectuou uma navegação lenta desde La Guaira até Willemstad - Curaçao - devido à proximidade entre as duas. O Santa Maria chega pela manhã àquela cidade, destino de emigração de muitos portugueses para tentarem a sorte em negócios privados como supermercados ou restaurantes, ou ainda ao serviço da Royal Dutch Shell, naquela que era a maior refinaria da América latina. 
Neste dia de 21 de Janeiro de 1961, há 51 anos, Henrique Galvão embarca clandestinamente no Santa Maria acompanhado por 3 operacionais da DRIL, juntando-se àqueles que se encontravam já no interior e que tinha embarcado como turistas em La Guaira, escondendo entre as roupas as armas que tinham sido compradas clandestinamente às Forças Armadas Venezuelanas.
Nos próximos dias a operação montada vai se desenrolar e descontrolar. Curaçao foi uma forma mais discreta de colocar o líder Galvão a bordo. O ano que seria considerado "horribilis" para a ditadura portuguesa teria os seus primeiros dissabores com visibilidade internacional.
Em cima, Willemstad do passado, observamos a Shell no topo esquerdo. Em baixo e na actualidade, Willemstad em dia de grande movimento de navios de cruzeiro:
                                                                                                                            

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