24 janeiro 2012

Assalto ao Santa Maria: Volte-face no dia 24 (6)

No dia 24 de Janeiro, há 51 anos, ocorre no Santa Maria uma comunicação via rádio pelo capitão Henrique Galvão que esclarece e altera definitivamente a posição política do governo britânico, a braços com a contestação da oposição. Nos Estados Unidos, a comunicação de Galvão promove uma maior clarividência sobre a situação no interior da recém-empossada Administração Kennedy. O capitão Galvão consegue quebrar a ideia "vendida" aos aliados de que o assalto ao Santa Maria era pirataria e com o qual ambos os países decidiram responder ao pedido português.
Apesar da alteração dos planos iniciais, o assalto ao Santa Maria apanhou de surpresa o regime político que reagiu a quente conforme pode e com o que estava ao seu alcance: NATO. A acção levada a cabo a bordo de um navio em águas internacionais limitaram a sua acção directa.
Estava alcançado o impacto internacional e a correcta interpretação das acções. No interior do regime, o embaraço é notório porque observavam o alcance que o assalto ao Santa Maria poderia tomar contra a ditadura e o seu isolamento internacional. 1961 foi um ano de viragem. A referência mais utilizada para documentar a consciência da posição do estado são as palavras de Franco Nogueira: 
"... este episódio, se for politizado pelo mundo, vai ter no futuro repercussões. Lisboa fervilha de boatos: remodelação ministerial, Salazar gravemente doente e desavindo com Thomaz, confusão. Uma trapalhada!" O prognóstico acertaria, o caso acabou por se transformar, como veremos nos próximos dias, numa situação muito desfavorável para o Estado Novo.
Entretanto, neste dia 24, o Santa Maria chega às machetes, nacionais e internacionais, com perspectivas diferentes. A opinião pública internacional começa a actuar com uma nova postura em relação a Portugal:
A bordo, passageiros e tripulantes consomem como podem o tempo num ambiente cordialmente tenso. Os revoltosos tentam não interferir nas rotinas. Seguem-se algumas das ambiências daqueles dias, na primeira foto no topo um dos luxuosos lounges a bordo do Santa Maria seguido do bar no Santa Maria com um rebelde como temporário "barman". 
Apesar do clima completamente artificial, as grávidas e senhoras em geral foram tratadas com cortesia depois de alguns arrufos iniciais pelo controle que os rebeldes exerciam sobre os passageiros e o seu confinamento em determinadas áreas públicas:
Por entre os passageiros, as nacionalidades e profissões pautavam-se por uma grande mescla e onde também viajava um padre:
Reunião do núcleo duro da DRIL:

2 comentários:

  1. Hola Berto,
    gracias por tus palabras, son importantes, nos hacen crentes en un buen trabajo hasta el final.
    Un abrazo del equipo de Cruzeiros

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