22 janeiro 2012

Santa Maria: o assalto, 22 Janeiro (4)

Confirmada a partida de Willemstad - Curaçao, o paquete "Santa Maria" da Companhia Colonial de Navegação sob comando do capitão Mário Simões da Maia navegava, rumo a Port Everglades, na Florida, com 612 passageiros e 350 tripulantes. À 1 hora e 45 minutos da madrugada de 22 de Janeiro de1961, em águas internacionais nas Caraíbas os 24 homens do Directório Revolucionário Ibérico de Libertação sob comando de Henrique Galvão tomam conta da ponte de comando e da cabine de TSF, dominando os oficiais do navio. 
O terceiro piloto João José Nascimento Costa ofereceu resistência aos assaltantes e foi morto a tiro. Pouco depois, o "Santa Maria" alterou o rumo para leste, procurando alcançar rapidamente o Atlântico. O plano da "Operação Dulcineia" estava a ser levado à prática com imprevistos. O avanço do plano desenrolou-se com desentendimentos entre a facção espanhola e Galvão, acabando por ser fulcral na prematura localização do Santa Maria e na impossibilidade de levar avante o plano inicial.
A natural apreensão pelo sucedido tomava conta dos passageiros e da tripulação, nunca antes tal situação tinha ocorrido a bordo de qualquer paquete. A incógnita sobre o que os rebeldes pretendiam, o conhecimento da morte do terceiro piloto, a alteração da rota contrastava com o bom trato que os rebeldes davam aos passageiros para obter a sua calma.
A alteração do plano consubstancia-se, ficando-se pela  primeira fase, a tomada do navio, fruto da discutida opção humanitária no sentido de retirar de bordo dois enfermos mas também como forma de amenizar a divergência táctica entre o capitão Henrique Galvão e o capitão Jorge Sottomayor, respectivamente comandantes dos grupos luso e espanhol quanto à liderança na ponte. Os enfermos provocam um desvio até Santa Lucia para o seu desembarque, decidido após acaloradas discussões pois daria a conhecer a posição do Santa Maria.
A operação "Dulcineia" torna-se pública, a surpresa da descrição desaparece como trunfo para o sucesso da operação e dentro da ideia de que a surpresa e o tardio conhecimento da ditadura, contra a qual lutavam, os colocariam à beira dos seus intentos.
Seguidamente e após dois dias e duas noites de indecisão, o caso Santa Maria desperta a atenção de governantes e comunicação social, promove uma discussão jurídica à volta do direito internacional. O Governo português reage com uma campanha de condenação e armadilhando o argumentário para inverter a forma como o mundo observaria a operação Dulcineia. Desde logo a ditadura portuguesa considerou o acto “pirataria internacional” e conspiração comunista.
Portugal usa os seus direitos/ privilégios na NATO como forma de colocar em posição desconfortável os seus aliados, nomeadamente e sobretudo a França, a Inglaterra e os EUA, para consertarem uma acção de resposta contra as intenções de Galvão. A França não reage ao pedido, a Inglaterra e os EUA sim. Como? saberemos no próximo post, é hora de desanuviar com um filme sobre paquetes portugueses:

1 comentário:

  1. Comentário relativo ao video do Sr. António Rocha: É impressionante a falta de respeito e consideração pelo trabalho honesto de investigação ao longo de uma vida inteira: a grande maioria das imagens utilizadas são minhas, retiradas de livros meus ou do meu blogue SHIPS AND THE SEA BLOG DOS NAVIOS E DO MAR.
    Os meus contactos estão em todo o lado, nunca nego ajuda a gente que me pareça interessada, que tal começar por pedir autorização e referir as fontes, Mr. TONY STONE - the Pirate?

    LMC

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