02 fevereiro 2012

Assalto ao Santa Maria: 2 de fevereiro dia de desembarque (13)

A 2 de Fevereiro de 1961 assiste-se ao desembarque dos passageiros. Henrique Galvão aceita as condições propostas por Jânio Quadros para os rebeldes mas depara-se com a reacção da tripulação do Santa Maria. Pretendiam obter garantias da sua libertação atendendo à reacção dos países amigos de Portugal que isolavam o regime e colocavam aqueles que o tinham defendido em posição desconfortável. Para tal, a tripulação impede o desembarque dos passageiros. Perante a nova reacção, fora do acertado com Galvão, o comandante do porto decide viabilizar o acesso de um pelotão de fuzileiros ao paquete. Este contingente, já em águas brasileiras e com a concordância de Galvão força o desembarque de passageiros e tripulantes fazendo cumprir o acordado.
Em seguida uma imagem de um destacamento de fuzileiros do Brasil que chega a bordo do Santa Maria na imagem superior. Na inferior, o mesmo destacamento dorme no convés do navio:
A bordo restam Galvão, os membros do DRIL e alguns tripulantes que decidiram permanecer do lado dos rebeldes. A partir daí este grupo discute o passo seguinte tendo em conta a complacência do Brasil em deixá-los seguir depois de terem desembarcado os passageiros. A noite determina o fim da "Operação Dulcineia", tinham conseguido o seu principal objectivo com a exposição do regime Salazarista à opinião pública mundial e aos respectivos governos e porque tinham a certeza do seu insucesso caso avançassem ao encontro de um "terreno" dominado pelo regime de Salazar. Também houveram contingências de ordem técnica como o insuficiente número de tripulantes familiarizados com o Santa Maria para manobrar o navio.
Neste dia 2, o navio chega a Recife e os revolucionários recebem asilo político, mas já nada será como dantes. "O governo fascista de Salazar está menos seguro no poder do que julga", sentencia o clandestino "Avante!", classificando a operação do "Santa Maria" como "uma séria derrota" e anunciando "um novo período de ascenso revolucionário".
Fotos em cima:
- No porto de Recife, aparentemente tudo normal no Santa Maria.
- Passageiros em torno de um graduado da polícia brasileira, sabendo os procedimentos no fim do sequestro.
Fotos em baixo
- Lá estão eles! Após treze dias, Galvão cede finalmente ao desembarque com os objectivos alcançados de forma diferente ao planeado..
- Este bébé experimentou uma jornada de luta contra a ditadura portuguesa, quem sabe, hoje com 51 ou 52 anos. Quem será? Será que lê este blogue?
No calor das discussões a bordo, surgiu ainda a ideia do afundamento do paquete Santa Maria mas felizmente e com o raiar de um novo dia o bom senso prevaleceu, os rebeldes entregaram-se às autoridades brasileiras, obtendo o asilo político prometido.
Paralelamente o "Santa Maria" voltava à posse da Companhia Colonial de Navegação. Os passageiros foram reencaminhados para outro navio da companhia, o Vera Cruz, que no itinerário que cumpriu voltou a portos portugueses no Funchal e em Lisboa onde chegou no dia 14. Quanto ao Santa Maria manteve-se no Recife até ao dia 7 desse mês, data na qual iniciou o seu regresso a Portugal, entrando de forma festiva a mando do regime e atracando a 16 de Fevereiro no cais de Alcântara. O regime suspirava ... por pouco tempo. O assalto ao Santa Maria foi a ignição para um ano "horribilis" para o regime Salazarista.
"Santa Maria", conquistou o título do mais famoso paquete português de todos os tempos, mesmo com o aparecimento de novos navios. O Santa Maria passou a "ícone" (ler artigo da nova revista sobre ícone) com prestígio e excelência, não só no seio da pátria mãe mas também no estrangeiro, facto que muito deve ao seu itinerário que continuaria a ligar Portugal aos Estados Unidos.
Apesar de alguns apontamentos que possam surgir, termina a "Operação Dulcineia" a bordo do blogue Cruzeiros. Esperamos que tenham gostado. Quisemos homenagear o Santa Maria e trazer à presença de todos uma bela época no que a navios de passageiros portugueses diz respeito.

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