05 fevereiro 2012

Sagres: portuguesa há 50 anos

O navio-escola Sagres faz no próximo dia 8 de Fevereiro 50 anos ao serviço da Marinha Portuguesa. Por esta altura decorre a possibilidade de poder visitá-la até ao próximo dia 12 deste mês no cais de Alcântara, numa acção integrada nestes festejos.

O actual navio-escola Sagres foi construído nos estaleiros da Blohm & Voss, em Hamburgo, em 1937, tendo, na altura, recebido o nome Albert Leo Schlageter. Era o terceiro de uma série de quatro navios encomendados pela Marinha Alemã (Kriegsmarine), que incluía o Gorch Fock (1933) (que veio a ser o Tovarish (1952-2003), o Horst Wessel (1936) (actual Eagle da United States Coast Guard), e um quarto navio nunca concluído, por entretanto ter eclodido o conflito, ao qual foi dado o nome Herbert Norkus (1939). Aliás, parte do aparelho deste último, nomeadamente vergas e mastaréus, veio posteriormente a ser utilizado no Gorch Fock (1958), actual navio-escola da Marinha Alemã, construído vinte anos mais tarde, de acordo com os planos dos anteriores veleiros. Além dos navios mencionados, o estaleiro alemão construiu um outro veleiro desta classe, o Mircea (1938), satisfazendo uma encomenda da Marinha Romena.
No final da guerra, aquando da partilha dos despojos pelos vencedores, o Horst Wessel e o Albert Leo Schlageter couberam aos Estados Unidos. No entanto, apesar dos esforços do Comandante americano da Base Naval de Bremerhaven, não foi possível encontrar, nos Estados Unidos, uma instituição que quisesse ficar com este navio. Pelo que, ao fim de três anos, acabou por ser cedido à Marinha do Brasil, com o intuito de fazer face aos danos causados pelos submarinos alemães aos seus navios, durante a guerra. Em 1961 foi adquirido por Portugal, no sentido de substituir a antiga Sagres, que, curiosamente, também havia sido navio alemão.
De facto, a anterior Sagres foi lançada à água em Bremerhaven, em 1896, com o nome Rickmer Rickmers. Em 1916, quando a Alemanha declarou guerra a Portugal, este veleiro encontrava-se nos Açores, tendo sido então arrestado. Baptizado com o nome Flores, foi colocado à disposição dos ingleses, que o usaram como transporte. Em 1924, terminada a sua utilização como navio mercante, foi incorporado na Marinha Portuguesa como navio-escola e com o nome Sagres. Razão pela qual, nomeadamente no estrangeiro, o actual navio-escola Sagres é, por vezes, apelidado de Sagres II, o que, na realidade, não corresponde à verdade. A explicação para tal reside no facto da Marinha Portuguesa ter contado anteriormente com um outro navio, com o nome de Sagres. Tratava-se de uma corveta mista com casco em madeira, construída em Inglaterra nos estaleiros de Messrs. Young, Son and Magnay, Limehouse, em 1858. Armava em galera e, fundeada no rio Douro, serviu como navio-escola, entre 1884 e 1898.
Ao abrigo da portaria nº18997, de 30 de Janeiro de 1962, o NRP "Sagres" foi aumentado ao efectivo dos navios da Marinha Portuguesa, diploma que igualmente classificava como navio-depósito o anterior navio-escola Sagres, doravante com o nome Santo André. Não obstante, só nove dias depois, a 8 de Fevereiro, é que a cerimónia oficial teve lugar no Rio de Janeiro, data em que o então Capitão-tenente Silva Horta assumiu o comando do navio, depois de haver sido o último Comandante da antiga Sagres.
Com a aquisição da nova Sagres conseguiu-se aquele que era o principal objectivo, ou seja, dar continuidade à existência de um navio-escola veleiro na Marinha Portuguesa, para que pudesse ser assegurada a formação marinheira dos seus futuros oficiais, complementando-se assim as componentes técnica e académica ministradas na Escola Naval.
Recorte do Diário de Lisboa de 7 de Fevereiro de 1962.
O navio largou no dia 25 de Abril de 1962 para a sua primeira viagem com a bandeira portuguesa, tendo chegado a Lisboa a 23 de Junho, depois de ter feito escalas no Recife, Mindelo e Funchal.
Desde 1962 o navio-escola Sagres tem efectuado anualmente viagens de instrução com cadetes da Escola Naval, à excepção de 1987 e 1991, anos em que, com vista à sua modernização, cumpriu prolongados períodos de fabricos.
Além da missão relacionada com a instrução dos cadetes, o navio-escola Sagres é também regularmente utilizado na representação da Marinha e do país, funcionando como embaixada itinerante de Portugal. No âmbito das suas missões, o navio-escola Sagres cumpriu já três viagens de circum-navegação, em 1978/79, 1983/84 e 2010, bem como outras viagens de duração superior a cinco meses, que o levaram a participar na regata Colombo (1992), integrar as comemorações dos 450 anos da chegada dos Portugueses ao Japão (1993) e ainda nas celebrações por ocasião dos 500 anos do achamento do Brasil (2000).
Em 2010, o navio-escola Sagres largou a 19 de Janeiro de Lisboa rumo a uma viagem de volta ao Mundo. Este périplo durou cerca de 11 meses como culminar da formação. Em seguida temos um filme com excertos dos preparativos/formação. Uma óptima forma de conhecer o navio e as suas rotinas. Aquela foi a terceira oportunidade que a Sagres teve para uma circum-navegação, tendo as últimas viagens ocorrido em entre 1978-79 e 1983-84 ... "cruzeiros" que qualquer um de nós desejaria!

Sem comentários:

Enviar um comentário