03 fevereiro 2012

Titanic Belfast ... sem tabus.

Fotografia de Donal-McCann
Na nossa nova revista, edição 5, dizemos que o "Titanic tem uma notoriedade tremenda apesar do fracasso" no artigo que se debruça sobre os Cruzeiros das Estrelas. Pelas expectativas criadas à volta do navio com o luxo, a dimensão e o facto de ser tecnologicamente avançado para a época, fez incidir a atenção das pessoas e o seu naufrágio deu-se exactamente num momento de máxima atenção da opinião pública.
Na altura, os navios eram os únicos meios de transporte a ligar continentes separados pelos mares e oceanos, sobretudo o Atlântico, onde se centrava então o frenesim da zona produtiva e de inovação no mundo. A fatalidade traduziu-se num sério aviso, situações que ocorrem ciclicamente e que nos ensinam a dimensão humana, falível e sujeita aos elementos do universo. O homem que cria e aperfeiçoa máquinas por vezes é o primeiro a falhar por sobranceria, desleixo ou presunção. Uma incúria da qual não passa impune sendo cobrado muitas vezes por vidas dos seus semelhantes. Só lhe resta baixar a cabeça, ser humilde e voltar a tentar ou a repetir para melhor (quem estiver já a pensar em segundos assuntos acertou!). Há uma frase, um chavão, que diz "a máquina tem sempre razão" e cada vez mais. A concepção de algo é estudado, criado e homologado. Por muitas pessoas passam muitos pormenores, algum pode escapar mas é cada vez menos provável. Conforme decorrem os anos sobre qualquer produto, este amadurece tecnologicamente, ou seja, pode ter uma aparência completamente diferente do primeiro e arcaico protótipo mas foram reunidas as experiências e o uso ao longo de muito tempo que o definiu com aquela aparência para aquele momento de evolução. Quando olharmos para um bem obsoleto criado pelo homem devemos dar-lhe importância, sem ele não haveria um degrau para outro melhor. Conforme o tempo passa a nossa responsabilidade como seres humanos é maior. Quanto mais aperfeiçoamos máquinas, mais clara é a nossa falha. Não falo de avarias mas aflorar ... não foram inspeccionadas a tempo? Aligeirou-se regras ou qualidade? Não se fez caso das instruções? Teríamos muito pano para mangas mas certamente entenderam a ideia. O homem se deseja a perfeição não deve se esconder em tabus.
Com o caso do Costa Concordia ainda presente, no ano onde em abril se comemora os 100 anos do naufrágio do Titanic, teremos em Belfast a inauguração de um navio-museu designado por "Titanic Belfast". Quiseram que fosse grande o suficiente para impressionar, num quarteirão que lhe será exclusivamente dedicado, 100 anos depois, para provar que era de facto um navio fantástico apesar do seu infortúnio. Por 6 pisos, o novo edifício construído para homenagear o Titanic, é palco para um percurso que levará quem o visitar por 9 áreas, onde o recurso a novas tecnologias dão a conhecer salões de baile, camarotes, escadarias sumptuosas, casa das máquinas e tantos pormenores que, apesar da fama do navio, ainda estão pouco divulgadas. O percurso é uma narrativa desde a sua construção até ao seu trágico fim. A aparência exterior do edifício consiste em várias imponentes proas.
A inauguração do complexo ocorrerá a 31 de Março, arrancando a partir de então um extenso leque de actividades que comemorarão os 100 anos do infortúnio do Titanic.

Olhemos sem tabus e avancemos humildemente. Quanto mais humildes, mais capazes seremos para não defraudarmos as máquinas que construímos para o nosso bem estar.
Qual é o seu próximo cruzeiro?

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