19 fevereiro 2012

Titanic no presente, o puro raciocínio

Numa altura em que temos o Costa Concordia presente estamos a dedicar o nosso domingo ao RMS Titanic que "distará" brevemente 100 anos da sua tragédia. Vivemos uma época de apreensão e ela deve-se à raridade da situação e à falta de rotina e expediente para encará-la. É de salutar! Significa que raramente sucede desgraças. Mas o que estamos mesmo a dizer? A indústria dos cruzeiros é por norma perfeccionista, nos serviços, na culinária, na ambiência, nos navios, na navegação, etc. Uma anormalidade é tida como uma formiga que decide fazer inversão de marcha perante uma enorme fila delas. Há um momento de transtorno localizado mas as outras não envolvidas na proximidade seguem em frente. Existe uma frase feita que diz "para a frente é o caminho".
Quando ouve uma notícia na rádio sobre um acidente de viação, confesse, não liga por ser banal e por vezes até vai a conduzir e importa saber onde foi. Se produz vítimas o ouvido desperta. A atenção completa é requerida se for sobre alguém ou empresa conhecida. Só o insólito é que o absorve por completo. Lembra-se há alguns anos do acidente com um camião com porcos que se soltaram na autoestrada? Sim!!!!! :o) E do acidente de ontem? ... entalou, já não se lembra :o)
O que estamos a tentar dizer, é que o acidente com o Concordia é um insólito que reapareceu 100 anos depois pela mesma razão, "autoconfiança exacerbada" com uma grande e bem concebida máquina nas mãos. Bastava estar em piloto automático e desaparecia a "fraqueza humana". Uma decisão de expediente é por segundos, uma máquina leva milhares de horas de estudo e construção, daqui surge outra frase feita: "a máquina tem sempre razão." Registe a ideia, vamos ao Titanic.
Sabemos que a Oceanic Steam Navigation Company ou White Star Line of Boston Packets, vulgarmente a White Star do RMS Titanic está embutida na história da respeitada Cunard e não lhe provoca qualquer mazela, antes porém distingue. A White Star teve dois momentos que marcaram a sua história, o Titanic do qual todos conhecem o acidente e a do seu irmão, o Britannic, que foi perdido durante a 1ª Guerra Mundial. Em 1934, o maior rival da White Star teve aquele momento que diz tudo, a Cunard Line decidiu fundir as duas empresas mantendo a identidade da White Star. Reconheceu a importância e a necessidade de preservar a White Star pelo seu valor, pelo lado positivo, sem estigma porque o valor da empresa era incomparavelmente maior que a capacidade dos acidentes em "enegrecer" o seu futuro. Talvez pelo descuido humano num caso e pela guerra noutro. A White Star existiu até bem longe no tempo: 2005. Hoje em dia, com a Cunard integrada na Carnival Corporation & PLC ainda temos referências a bordo dos "Queens" com a designação de "White Star Service" para os serviços de excelência no atendimento a bordo. A fama perdura pela positiva.
Volvidos 100 anos do Titanic, surge o acidente do Concordia. Muito maior, muitos mais passageiros, incomparavelmente menos vítimas. Os ingleses, que amam cruzeiros, foram muito pragmáticos e "quase" diplomatas ao analisar o acidente. Quando a informação assentou, começou a circular uma variante inglesa para "Schettino". Ao ler os comentários de "entendidos" parecia que algo estava errado mas qualquer um prosseguia para perceber o conteúdo e não o pormenor. Quando chegou a hora de verificar os pormenores e o inglês com segundas intenções, a palavra "Shittino" afinal estava muito certa pelo prisma deles. Para os velhos marujos estava tudo claro e não havia perdão, apesar de oficialmente não estar nada confirmado. Para completar esta ideia leia este post interessante (Link)
Agora vamos à  Costa. Tem as suas origens em 1854 (quase tão antiga quanto a Cunard de 1840), fundada como empresa de navegação marítima de carga com a vocação para o transporte de azeite e têxteis desde a Sardenha para a Lingúria. Em 1924 os filhos do fundador (Giacomo Costa fu Andrea): Federico, Eugenio e Enrico, que mais tarde deram seus nomes a navios (com os quais muitos portugueses emigraram), tomam conta da empresa. Alargam as actividades comerciais com a aquisição do navio Ravenna, mantendo uma regularidade nas áreas de negócio até 1947. Dois anos depois do fim da guerra e com uma Itália a braços com a emigração para o novo mundo, a Costa dá início ao transporte de passageiros para a América do Sul. O sucesso ditou a conversão integral dos seus navios para o transporte de passageiros em linhas regulares. A Costa tornou-se numa das maiores companhias a operar cruzeiros na Europa.

No ano da transição do século a Costa é adquirida pela Carnival Corporation, sendo uma das 11 marcas independentes da Carnival e representando 16% da facturação do grupo.
A Costa tem responsabilidades acrescidas no grupo pela gestão não só da designada Costa Cruzeiros mas também pela AIDA na Alemanha, que anteriormente era uma subsidiária da P&O Cruises Princess, sendo transferida para Costa após a fusão da Carnival Corporation e a P&O Princess em 2002. A influência da Costa também está presente na gestão da Iberocruceros em Espanha, criada em 2007 como uma joint venture entre a Carnival Corporation e Grupo Orizonia.
A Costa Cruzeiros, propriamente dita, opera atualmente quinze navios de cruzeiro sob bandeira italiana proporciona férias em cruzeiros no Mediterrâneo, Norte Europeu, Caraíbas, Oceano Índico, Oriente Médio, Sudeste Asiático e América do Sul. A história mais pormenorizada poderá ser vista AQUI (Link). 
A Costa não é uma companhia qualquer e acumulou tanta experiência quanto as mais antigas como a Cunard, P&O ou Holland America Line.
Quanto mais sofisticado fôr o navio, com concepções testadas para serem entregues à companhia de cruzeiros e na presença da apertada legislação SOLAS que deve ser respeitada a bordo, menos margem existe para o descuido humano, ainda para mais com a capacidade de registo de tudo o que sucede.
O que pretendemos com a abordagem ao Titanic neste post numa explanação mais alargada até a actualidade é fundamentar um cenário racional e não emocional.


A pergunta final só de quem nunca fez um cruzeiro.
Acha que devo fazer um cruzeiro? Fiquei com receio, o acidente marcou-me.
Responderemos assim: quando estávamos a fazer o artigo da revista sobre os navios que foram cenário para filmes, actualmente em banca, apercebemos-nos que tínhamos o Titanic com um "aniversário" redondo, o Concordia presente, os filmes que só tinham cartazes com explosões apelativas e grandes catástrofes ... :o)
beeeemmmm, o que é isto? A conclusão do aceso debate foi: PODER DE ATRACÇÃO!
Os navios são empáticos, impressionam como máquinas e como luxo, parecem contos de fadas, têm um valor emocional e facial enorme, isto facilita a vida dos contadores de histórias ou na criação de mitos. Um acidente de viação não é suficiente para estremecer as plateias, promover vendas de jornais ou acessos nos blogues (bem o sabemos!). Um acidente com um navio de cruzeiros é ainda mais raro do que aquele que é considerado como o meio de transporte mais fiável do mundo (porque se esquecem dos navios): o avião. Mas fomos mais além no raciocínio, o maior receio com navios é o de marear e não de navegar, o do avião é de viajar nele! Não existe cursos para perder o medo de andar de cruzeiro, em alguns casos até era necessário um curso de "refrear" o entusiasmo a bordo por alguns passageiros mais efusivos, sobretudo ao fim da noite :o)
Não é politicamente correcto mas estamos cá para dizer a verdade e assim ser uma referência. Quem fez mais do que um cruzeiro lastima o caso do Concordia, de coração e transtorna-lhes, andam irritados porque aquilo não poderia suceder numa indústria de excelência, quando lhes passa a emoção esfregam as mãos por observar os preços que aí estão numa indústria que tenta perceber quão longe vai a recessão nos países "clientes" e ainda da reacção ao sucedido com o Concordia. Quem já fez mais de um cruzeiro está louco para fazer outro "em conta" ou fazer mais do que estava programado.
Resposta simples a "acha de devo fazer um cruzeiro?":
SIM! AINDA ESTÁ EM CASA?!?
Vá na Costa ... "Grande come il mare" ... eu vou no Costa Serena!

Aspecto dos terminais da Costa em Savona e Barcelona, os "Palacrociere":
Passe um sabonete Titanic nesse receio, observe com racionalidade, nunca foi tão barato experimentar um cruzeiro de excelência, ocorreu um insólito não um acidente:

3 comentários:

  1. Gostei da explicação porque foram sinceros. Não tinha receio e estou para fazer um cruzeiro em Abril. Um cruzeiro é uma excelente forma de férias que desaparecendo a crise vai rivalizar em percentagem com as férias normais de voo e hotel com um destino fixo.
    Gostei de ler porque não estava à espera desta abordagem. Moral da história, o humano está sempre a somar experiência que toma em consideração ao construir navios mas o erro humano é uma nódoa difícil de sacar.
    Sandro, Cascais

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  2. Muito bom. É preciso esclarecer as pessoas, vou enviar este link aos meus amigos porque estava numa fase de convencer a fazerem umas férias num cruzeiro quando aconteceu o caso do Concordia.
    Juan Mata

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  3. Olá Sandro e Olá Juan
    Com convicção se ultrapassa o melindroso.
    O benefício é incomparavelmente maior que a pequena nódoa. Aproveitem para fazer cruzeiros, boa altura!
    Abraço da Cruzeiros

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